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Inovação
Design Thinking

21 de outubro de 2016

Última atualização: 10 de maio de 2023

Inovação: o que significa na prática?

Inovação: considero essa palavra o manto sagrado deste milênio. Sempre que perguntamos o porquê de algumas empresas terem sucesso, a resposta na ponta da língua é inovação. E o pai do conceito “disruptive innovation”, Clayton Christensen, nos alerta para os problemas deste tipo de simplificação.

Ele reitera que quando se utiliza um conceito para explicar tudo que acontece e coisas diferentes são explicadas pela mesma teoria, não estamos entendendo o tópico corretamente. Vamos entender um pouco mais sobre inovação.

Inovação: significado

A inovação é a criação, desenvolvimento e execução de uma ideia nova, seja de um processo, um produto ou um serviço. A inovação surge na busca da solução de problemas ou no preenchimento de alguma lacuna no mercado. 

O que é Inovação?

Este conceito de inovação é aplicado a todos os aspectos na sua base de clientes. Você precisa entender, observar e desenvolver empatia com eles, caso deseje antecipar seus interesses e necessidades.

É desta forma, sem grandes investimento em tecnologia e com muita simplicidade, que acreditamos poder construir um futuro melhor para nossos clientes e assim, para nossa empresa. Pense em como você poderia, observando mais a interação dos seus clientes com seus produtos ou serviços, inovar. Com certeza há várias oportunidades logo ali, esperando para serem descobertas. 

Um exemplo da inovação nascida da observação

A princípio, a época mais importante de se aprender a escovar corretamente os dentes é quando você é criança. Apesar disto, durante décadas as escovas infantis eram uma réplica menor das escovas para adultos. Em um projeto, colocou-se uma destas escovas na mão de uma criança e pediu que ela escovasse os dentes sozinha. Não demorou muito para os machucados começarem a acontecer. Isto acontece pois as crianças pequenas pegam a escovam utilizando sua mão toda e não somente seus dedos, como as crianças mais velhas.

A primeira vista, crianças menores deveriam ter uma escova de dente mais grossa, e não mais fina que a dos adultos. Essa característica só pôde ser percebida porque a equipe observou as crianças utilizando a escova. Por fim, o time desenvolveu uma escova mais grossa, macia e de pegada mais aderente, o que tornou a escova mais fácil da criança manusear.

Inovação: criatividade é um talento?

Esta é uma visão muito tradicional e uma das melhores desculpas para não se fazer nada sobre criatividade. É verdade que algumas pessoas têm uma curiosidade natural, que algumas pessoas têm uma imaginação ativa. E também é verdade que algumas pessoas estão sempre tentando mudar as coisas. Mas todos esses efeitos também podem ser obtidos por meio do desenvolvimento de técnicas formais de pensamento lateral.

Se um número de pessoas participa de uma corrida, alguém chegará em primeiro, outro em segundo e alguém será o último. Isso é determinado pela capacidade natural. Essa capacidade pode ser alterada por treinamento. Se todo mundo que participou da primeira corrida receber um conjunto de patins e aprender a usá-los, então todo mundo irá mais longe na mesma quantidade de tempo. Alguém ainda chegará em primeiro e alguém em último, mas não necessariamente a mesma pessoa de antes.

É o mesmo com a criatividade. Se não fizermos nada sobre isso, então só podemos depender de talento natural. Mas, se desenvolvermos técnicas formais e realizarmos treinamento nessas técnicas, então todo mundo vai ser muito mais criativo do que antes. Algumas pessoas ainda vão ser mais criativas do que outras, como acontece com qualquer habilidade adquirida.

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A criatividade vem de rebeldes?

Rebeldes são criativos, porque os rebeldes querem ser diferentes. Já que não são muito bons em jogar o jogo que todo mundo está jogando. Eles podem até não querer jogar de forma nenhuma. Eles querem jogar seu próprio jogo. No passado, este teria sido um bom ponto de partida para a criatividade.

Hoje as coisas estão mudando. Estamos começando a entender o "jogo" da criatividade. Podemos entender como a auto-organização dos sistemas de informação formam padrões assimétricos e como podemos nos mover por meio dos padrões. As técnicas formais do pensamento lateral são desenvolvidas a partir desse entendimento.

Pode muito bem acontecer de os conformistas serem melhores em jogar este novo jogo da criatividade. Os rebeldes não vão querer jogar este jogo e podem não ser bons nisso. Assim, podemos ter o estranho paradoxo de que os conformistas podem realmente tornar-se mais criativos do que os rebeldes.

Naturalmente, o conformista tem que querer ser criativo. Eles têm que querer aprender o jogo de criatividade, e eles tem que querer jogar esse jogo. Os rebeldes têm sempre a motivação para desafiar e ser diferente. Assim, os conformistas podem tornar-se criativos, mas eles têm que querer.

Inovação no Brasil, tem?

As empresas mais agressivas e controladas pelas mentes financeiras cada vez mais focam seu ataque nos projetos geradores de caixa. Ademais, um programa de Excelência Operacional, por exemplo, permitirá que você reduza seus custos e consiga uma maior geração de caixa com o mesmo faturamento. E sendo assim, reduzir o custo significa fazer mais com menos. Assim, algumas pessoas confundem inovação no Brasil com corte de vagas.

Outras irão inovar em produtos correlatos, competindo por fatias de mercados já existentes. Além disso, lembro-me de um conceito do setor de bebidas chamados “share de estômago”, no qual produtos diferentes competiam para atender a mesma necessidade de um mercado já bastante maduro. Além disso, o automobilístico também procede da mesma maneira, em que todos os carros buscam atender a necessidade de locomoção de quem geralmente já possui carro.

Agora quando olhamos para as empresas que criam novos mercados, faltam-me exemplos na cabeça. Vocês conseguem lembrar de algum? Algum que seja genuíno nosso e não uma inovação importada. Porque somos bons em importar inovações lá de fora, como compras coletivas, marketing de conteúdo, sistemas de gestão e coisas do gênero.

O que é Inovação de Eficiência?

São as que visam a redução de custos por meio da excelência operacional, fazer mais com menos. Têm como consequência a eliminação de empregos e o aumento do dinheiro em caixa. As inovações de eficiência dão retorno rápido de 3 meses a 2 anos, não tem muito risco e turbinam um negócio que atende um mercado já existente. O Lean Six Sigma é uma poderosa ferramenta para promover este tipo de inovação.

 As empresas fazem isso repetidamente em diferentes ciclos, especialmente porque as empresas são avaliadas por indicadores financeiros. Retorno sobre o investimento (ROI), Retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) e o Retorno sobre os ativos (ROA).

O Walmart, por exemplo, teve um efeito disruptivo nas lojas de departamento, porque elas não conseguiram responder à altura de sua tática agressiva de preços baixos. Mas do ponto de vista do crescimento econômico, eles tornaram o varejo muito mais eficiente, o que resultou em menos empregos, mas não em mais pessoas atendidas.

O que é Inovação Sustentada?

Seu papel econômico é melhorar os bons produtos. São muito importantes economicamente, porque mantêm as margens atrativas e o mercado competitivo e vibrante. Esse tipo de inovação também pode melhorar a lucratividade e gerar crescimento por meio do aumento de preços, mas não geram crescimento por meio de novos consumidores, nem por meio da criação de empregos. Aqui, o Lean Six Sigma também pode ajudar a empresa a inovar.

Esse tipo de inovação é interessante. Imagine que você vá até uma concessionária Toyota e seja convencido a comprar o novo Prius híbrido. Fazendo essa escolha, você não comprará o Camry. Comprar a nova versão do produto fará com que você não compre a antiga. Então, as inovações sustentadas substituem outros produtos e não geram o crescimento por meio de novos consumidores. O crescimento é marginal e vem por meio de produtos de maior valor agregado.

O que é Inovação no mercado?

A princípio, são disruptivas em certo sentido. Elas transformam produtos que são complicados e caros em coisas muito mais baratas e acessíveis, assim muito mais pessoas estarão aptas a comprá-los e utilizá-los. Você terá que contratar mais gente para distribuir o produto, vende-lo e servi-lo. Portanto, é daí que vem o crescimento. Como exemplos, há o Toyota Corona que invadiu os EUA na década de 80, as motos Honda, a impressora Canon e os rádios portáteis da Sony.

Quais são os exemplos controversos?

Quando Clayton Christensen se propõe a avaliar o Uber, ele classifica-o como inovação sustentada, pois ele melhora o serviço de táxi. O Uber mirou os mercados principais com um serviço melhor para clientes já existentes, e teve sucesso ao servi-los melhor do que os taxistas. Não é de se surpreender que as empresas de táxi não ficaram contentes e estão motivadas a responde-los, mas, até agora, não tiveram sucesso.

Christensen define a inovação disruptiva como aquela que se inicia na margem dos mercados estabelecidos e, eventualmente, vem a dominar os mercados tradicionais. Verifica-se que as inovações badaladas que entram na parte alta do mercado, como Tesla, simplesmente não se encaixam nessa definição.

Vale ressaltar também que há outros tipos de inovação, como a Inovação Incremental, Inovação Radical e Inovação Aberta.

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Por que a inovação é importante?

Competitividade

A inovação pode ajudar as empresas a se manterem competitivas, pois permite que elas desenvolvam novos produtos, serviços e processos que atendam às necessidades e demandas dos consumidores. Empresas que não inovam correm o risco de ficarem para trás em relação a seus concorrentes.

Crescimento econômico

A inovação pode impulsionar o crescimento econômico, já que novas tecnologias e ideias podem criar novos mercados e oportunidades de mudanças no modelo de negócio. Isso pode levar a mais empregos, aumento da produtividade e melhoria do padrão de vida das pessoas.

Sustentabilidade

A inovação pode ajudar a resolver desafios ambientais e sociais, desenvolvendo soluções mais sustentáveis e eficientes para os problemas enfrentados pela sociedade. Isso pode incluir o desenvolvimento de tecnologias de energia limpa, sistemas de transporte mais eficientes e novas formas de reciclagem.

Melhoria da qualidade de vida

A inovação pode melhorar a qualidade de vida das pessoas, oferecendo novos produtos e serviços que tornam a vida mais fácil, segura e conveniente. Isso pode incluir tecnologias médicas avançadas, dispositivos de comunicação móvel e soluções de transporte mais eficientes.

Como as empresas podem promover a inovação?

Cultura de inovação

A cultura da empresa deve ser focada na inovação, incentivando a experimentação, o pensamento criativo e a colaboração entre equipes e departamentos. Isso pode envolver a criação de espaços de trabalho abertos e colaborativos, programas de incentivo à inovação e reconhecimento e recompensas para ideias inovadoras.

Pesquisa e desenvolvimento

As empresas podem investir em pesquisa e desenvolvimento para criar novos produtos e tecnologias inovadoras. Isso pode envolver a contratação de equipes de pesquisa e desenvolvimento dedicadas à inovação ou a colaboração com universidades e centros de pesquisa externos.

Parcerias

As empresas podem colaborar com outras empresas, startups ou universidades para criar novas soluções inovadoras. Isso pode envolver a criação de parcerias estratégicas ou programas de incubação de startups.

Investimentos

As empresas podem investir em startups ou empresas inovadoras em estágio inicial para adquirir tecnologias e ideias inovadoras. Isso pode envolver a criação de um fundo de investimento dedicado à inovação ou a colaboração com investidores externos.

Co-criação

As empresas podem envolver os clientes no processo de inovação, co-criando novos produtos e serviços com eles. Isso pode envolver a realização de pesquisas de mercado para entender as necessidades dos clientes ou a criação de programas de feedback e teste de produtos.

Quais são os desafios que as empresas enfrentam ao tentar inovar?

Cultura e mindset

Uma cultura organizacional que não valoriza a inovação pode ser um grande obstáculo para as empresas que desejam inovar. Muitas empresas têm uma cultura que prioriza a conformidade e o status quo, o que pode desencorajar a experimentação e o risco. Além disso, as empresas podem ter funcionários que não têm o mindset de inovação necessário para buscar novas ideias e soluções.

Recursos financeiros limitados

A inovação pode exigir um investimento significativo em tempo, dinheiro e recursos. As empresas podem enfrentar restrições financeiras que impedem a inovação, especialmente em momentos de crise econômica ou incerteza.

Falta de talentos

As empresas precisam de funcionários com habilidades e conhecimentos específicos para inovar com sucesso. No entanto, pode haver uma escassez de talentos qualificados em áreas como tecnologia, design e análise de dados.

Regulamentações e políticas governamentais

As regulamentações e políticas governamentais podem limitar a capacidade das empresas de inovar em certas áreas, especialmente em setores altamente regulamentados, como saúde e financeiro.

Concorrência e pressão do mercado

A pressão do mercado para lançar novos produtos ou serviços pode levar as empresas a adotar uma abordagem de inovação mais conservadora ou a copiar soluções existentes em vez de buscar soluções verdadeiramente inovadoras. A concorrência também pode dificultar a inovação, já que as empresas podem estar relutantes em compartilhar informações com outras empresas ou investir em ideias arriscadas.

Quais são os mitos sobre inovação?

Você tem que ser um artista para ser criativo?

Isso é totalmente falso. Houve muitos engenheiros criativos, cientistas, financiadores, empresários, etc., que não foram artistas. Criatividade é a mudança de percepções, conceitos e ideias. Em qualquer situação onde a percepção e os conceitos são importantes, a criatividade também é fundamental. Isso se aplica à maioria das situações.

Porque os artistas são criativos em seu próprio campo, não significa que eles tenham uma habilidade geral de criatividade que pode ser aplicada a qualquer campo. Um artista normalmente tem a motivação de tentar algo novo, e às vezes o artista pode fornecer uma contribuição sobre um assunto. Mas certamente não é verdade que a criatividade está limitada aos artistas.

Ideias sempre aconteceram?

Há uma crença que diz que grandes ideias sempre aconteceram em diferentes áreas e que elas vão continuar a acontecer de tempos em tempos. Portanto, não há necessidade de se prestar uma atenção especial à criatividade. É suficiente apenas esperar para que novas ideias aconteçam.

Uma versão relacionada diz que novas ideias acontecem pela evolução e que isso não pode ser acelerado. Há uma história sobre as origens da carne de porco assada. Diz-se que o porco assado foi descoberto quando uma casa pegou fogo na China e um porco no quintal também foi queimado.

Casas vão queimar de vez em quando, mas não temos que esperar por tais ocasiões para obter carne de porco assada. Nós podemos assar um porco sempre que quisermos. Da mesma forma, novas ideias vão continuar a acontecer ao longo do tempo, mas também podemos procurar deliberadamente por novas ideias por meio do uso da criatividade. Um não exclui o outro.

Como é a inovação no Brasil?

Como estão os grandes modelos de negócios brasileiros? Onde as grandes empresas brasileiras se encaixam? Numa análise rápida, poderia apostar que a maioria das grandes empresas brasileiras estão na inovação de eficiência, seguidas pela inovação sustentada. E por quê? Pela escassez de recursos financeiros disponíveis. E recursos escassos são caros. Dinheiro no Brasil é muito caro.

Para se dedicar à inovação de criação de mercado, uma empresa precisa de um processo que leve à inovação disruptiva, o que leva tempo. E muito do dinheiro investido não poderá ser recuperado, pois a taxa de sucesso desse tipo de inovação é bastante baixa. Não podemos falar que não existam empresas assim no Brasil, mas podemos falar que são poucas. E, as poucas que existem, são de porte menor e muitas vezes estão ligadas aos programas de subvenção econômica do governo.

Quais são os investimentos em inovação?

Para deixar o entrave ainda mais claro, gostaria de fazer uma pergunta: onde você investiria seu suado dinheiro que poupa todo mês?

  • No tesouro direto, que lhe paga com um baixíssimo risco o IPCA + 5,5% ao ano?
  • Na dívida de uma grande empresa cujo programa de investimentos visa a redução acentuada de custos, por meio da eliminação de postos de trabalho que lhe paga IPCA + 8,26% (EDP Energias) ou CDI + 2,50% (Cia Paulista de Securitização)?
  • Em ações de empresas que são famosas pela redução de custos e por altas taxas de dividendos?
  • Em empresas que lançam novos produtos sempre, como montadoras e empresas de tecnologia?
  • Ou investiria numa empresa que promete, se tudo der certo, daqui a 2 ou 3 anos, por exemplo, fazer o Seis Sigma alcançar parte da população que não tem acesso à esta educação hoje?

Se bem conheço, penso que você ficaria no tesouro, um pouco nas debêntures e talvez o resto em CDB ou poupança, para retiradas rápidas. Acertei? Mesmo assim, haverá alguns poucos que serão investidores anjos e colocarão seus investimentos em projetos disruptivos, mas e as empresas? Como será que elas pensam?

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Virgilio F. M. dos Santos

Virgilio F. M. dos Santos

Sócio-fundador da FM2S, formado em Engenharia Mecânica pela Unicamp (2006), com mestrado e doutorado na Engenharia de Processos de Fabricação na FEM/UNICAMP (2007 a 2013) e Master Black Belt pela UNICAMP (2011). Foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da UNICAMP, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.