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Produção de Cerveja no Brasil: a quantas anda?
Seis Sigma

07 de setembro de 2016

Última atualização: 25 de janeiro de 2023

Produção de Cerveja no Brasil: a quantas anda?

Como está a produção de cerveja?


Produção de cerveja: faz tempo que não faço mais um post para discutir e comentar dados. Ultimamente, focamos nossos artigos na disseminação de conceitos interessantes e importantes para a implantação de projetos de melhoria. Por meio deles, focamos em dar dicas e ensinar vocês, que estão nesta estrada, um pouco do que sabemos. Porém, atendendo a pedidos, vamos voltar a analisar alguns indicadores do mercado, começando pelo consumo.


Como já falamos em alguns posts, gostamos de analisar o mercado de bebidas, pois por meio do SICOBE é possível analisar quanto as empresas estão produzindo. Como será que está o consumo de cerveja? Para responder este questionamento, quem me lê com frequência já sabe, vamos de gráfico de tendência.



Produção de Cerveja


Pela figura 1, elaborado no Excel, pode-se verificar que a média móvel (linha pontilhada) permanece estável, o que denota que a queda na produção ao longo dos anos não foi tão acentuada. O mesmo acontece para os picos do final do ano. Mas por que será que há tantas notícias na mídia sobre a queda da produção da cerveja? Onde está esta queda? Para analisar melhor, seria interessante utilizamos alguns gráficos de controle e para isto, vamos de Minitab.


É possível verificar a variação do volume de produção mensal de todos os anos, pois o Box Plot nos permite comparar quartis, medianas, mínimos e máximos. Conseguimos observar que a mediana de produção do ano 2014, é bem maior que a de 2016, portanto 2016 está mais complicado mesmo.


E se comparássemos os períodos de produção alta e de produção baixa ao longo dos anos? Será que a queda de 2016 foram nos meses de produção alta (outubro a março) ou de produção baixa (abril a setembro)?



Análises


Pela figura 3, é possível verificar a queda de volume do período de alto volume em 2016, mesmo sabendo que ele não está completo, apenas com os três primeiros meses do ano. Pelo gráfico também é possível enxergar a baixa variação em produção do ano de 2014, o que nos induz a afirmar que este foi um ano em que a produção foi alta em todos os períodos. E será que teria mais alguma maneira de enxergarmos os dados?


Olhem que interessante. Nele, é possível verificar que o comportamento da produção nos períodos de baixa, possuem distribuição normal. Porém, nos períodos de alta produção, não. Assim, é mais fácil prever o volume de produção nos meses de baixa. Diante disto, pergunto: isto faz sentido? Se imaginarmos que um estoque alto é mais fácil de ser corrigido não produzindo muito (e para estoque) no período de alta, faz. Por isto, a queda na produção de 2016 pode ser considerada uma correção de rumo caso as vendas não se concretizem conforme o esperado.



Março


O que chama mais a atenção em 2016, é o nível de produção em março. Fizemos, na figura 5, um gráfico de controle para avaliarmos apenas o mês de março.


Pela figura 5 conseguimos comprovar o que havíamos dito. Março de 2016 entrou para história como o pior março desde que os dados começaram a ser coletados em 2011. Assim, fechamos o artigo. Nesta simples análise, que você aprende facilmente em nossos cursos de Green Belt, Black Belt e Master Black Belt, conseguimos entender o comportamento do volume de produção de cerveja no Brasil nos últimos anos e o impacto da crise neste.


Outra coisa que poderíamos fazer, caso desejássemos nos aprofundar no tema, era utilizar o Google Insights for Search. Lá, se digitarmos cerveja, veríamos o comportamento da pesquisa pelo tema, quais as regiões de maior volume de pesquisas e os quais termos relacionados.

Virgilio F. M. dos Santos

Virgilio F. M. dos Santos

Sócio-fundador da FM2S, formado em Engenharia Mecânica pela Unicamp (2006), com mestrado e doutorado na Engenharia de Processos de Fabricação na FEM/UNICAMP (2007 a 2013) e Master Black Belt pela UNICAMP (2011). Foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da UNICAMP, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.